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Por Adryel Nunes e Cauê Rodrigues
O Blog do Cauê Rodrigues teve conhecimento da sofrida e humilhada história do agricultor José Araújo Alves, de 67 anos, morador da comunidade rural Pajeú Mirim, na zona rural de Afogados da Ingazeira, no sertão de Pernambuco que teve sua infância e adolescência escravizada após de perder de seu pai na feira livre de Tabira no ano de 1956.
Com 4 anos de idade, saiu com seu pai para a feira livre de Tabira onde comercializavam galinhas. Em um momento, seu pai (que não consegue lembrar de sua fisionomia) se distanciou, deixando o pequeno José cuidando das aves, quando chegou um outro garoto que espantou as galinhas que saíram correndo para o mato. Assustado e com medo, José saiu em busca das aves, distanciando-se cada vez mais do seu pai. Apavorado, não soube retornar para o mesmo local, indo para a calçada da igreja, onde ficou até ser pego por um guarda que segundo ele chamava-se Zé Morais.
1ª sandália aos 7 anos
 José, que teve esse nome depois dele mesmo já adulto criar seu próprio nome e uma data de nascimento, informou ao Blog que ficou mais de um mês preso no quintal da casa do referido guarda, em Tabira,  tratado como animal, dormindo sob sacos de estopas, levando chuva, sol e frio durante as noites mal dormidas, além de fome, já que era alimentado por migalhas de restos de comida.
 
Após cerca de um mês no sofrimento, José recebeu o nome de "Negro" e foi levado por José de Freitas Pedrosa, cunhado de Zé Morais, para o sitio Cabrito, na zona rural de Ingazeira, onde viveu até os 21 anos como escravo.
 
Aos 7 anos de idade, calçou sua primeira sandália, uma alpargata feita de pneus, presenteada por uma das irmãs de Zé Pedrosa. Segundo José, sempre chamado apenas de "Negro", nunca foi a uma sala de aula, era proibido de sair de casa, obrigado a trabalhar diariamente das 06 da manhã às 18h00 muitas vezes sem se alimentar, perdido nas caatingas cuidando das criações de gado, bodes e ovelhas de propriedade de Zé Pedrosa, que era cunhado então do guarda Zé Morais, que capturou José na feira de Tabira em 1956.
 
Muitas vezes quando chegava da caatinga, cansado, não se alimentava, sentava em um canto da parede e ali pegava no sono, sendo acordado na manhã seguinte para retornar a rotina diária de escravidão.
José relembrou um fato de lesão corporal, quando ainda criança escrava, cuidava dos animais que acabaram invadindo uma plantação de milho de Zé Pedrosa. Quando o mesmo viu a plantação destruída pelos animais, com um pedaço de pau atacou o pequeno José com diversas pauladas em sua cabeça. Desnorteado, ficou caído no mato, inconsciente e lesionado.

Recuperado por si próprio, penava em fugir, mas tinha medo de ser pego pelos seus "donos" e também por não ter para onde ir.
Indagado pelo Blogueiro Cauê Rodrigues sobre documentos, José afirmou ter ele mesmo já adulto, providenciar seu batismo, um registro de nascimento com nome por ele criado como José Araújo Alves, com data de nascimento de 05 de Setembro de 1951. Para ele o único dado certo seria o ano de 1951.

Falando sobre lembranças de onde morava com os pais, José disse apenas que lembra que morava próximo a um açude, onde tinha uma parede por onde se passavam carros e próximo a casa dos pais tinha um pé de jaca. Lembra ainda que sua mãe tinha cabelos enormes.Em 1974 casou-se com a senhora Josefa Maria de Lima Alves, que a conheceu durante uma viagem a pé do sitio Cabrito da Ingazeira à Tabira quando tinha 19 anos, sendo essa a liberdade conquistada por ele, já que foi levado pela família de Dona Josefa para o sitio Pajeú Mirim, em Afogados da Ingazeira. Morou primeiro em uma casinha de pau a pique (taipa) e posteriormente, após aposentado, conseguiu construir uma pequena casa em terras cedidas por uma tia de dona Josefa, onde vive até hoje.

Com Dona Josefa, também chamada de Joana, José teve seis filhos; Maria Aparecida, Amaury, Almir, Aurivan e Alcione. Tem ainda quatro netos.

A esperança de José é reencontar algum parente. Sabe que os pais podem não existir mais, porém lembra de ter um casal de irmãos mais velhos.
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