Casa Shopping Center
O Centenário
Costa Lira
Informatic Center

Dr. Roberto Calumbí

Dr. Gilson Brito
Centro Clinico
Verónica Alexandre
Deixe Seu Like

Se estivesse vivo, Rogaciano Leite, completaria 98 anos neste domingo; veja a história do poeta e jornalista itapetinense

Nascido no dia 1º de julho de 1920, no Sítio Cacimba Nova, zona rural de Itapetim-PE, Rogaciano Bezerra Leite, considerado como um dos maiores poetas brasileiros, se estivesse vivo completaria 98 anos neste domingo, 1º de julho.

História do poeta

Filho do casal de agricultores Manoel Francisco Bezerra e de Maria Rita Serqueira Leite, Rogaciano Leite, de infância simples e humilde, como qualquer filho de agricultor da região, desde criança demonstrava interesse pela poesia e, aos 15 anos de idade, enfrentou pela primeira vez em desafio, o poeta Amaro Bernadino na cidade de Patos-PB, onde iniciou sua vida de cantador e conheceu o poeta Pinto de Monteiro.

Ao completar a maioridade, Rogaciano teve que deixar sua terra natal e seguir em busca de sobrevivência pelo o mundo afora, mas sempre voltava ao Ventre imortal da poesia para visitar os parentes. O poeta sempre guardou recordações da sua terra mãe, da casa paterna e do seu cavalo branco, ao qual desfilava pelas ruas quando passava por Itapetim.

Viveu no Rio Grande do Norte e lá fez amizade com o renomado poeta pernambucano Manuel Bandeira. Aos 23 anos foi morar em Caruaru-PE, onde apresentou o seu primeiro programa radiofônico diário.

Em 1944 transfere-se para Fortaleza-CE, tendo iniciado a carreira de jornalista na “Gazeta do Ceará” e foi colaborador do jornal “A Tribuna” e “O Povo”.

De 1945 a 1950, embora residindo em Fortaleza, andou por vários estados nordestinos, especialmente Pernambuco, quando em Recife, foi colaborador do “Jornal do Commercio” e do “Diário da Noite”. Nesse mesmo período, Rogaciano foi o idealizador ao lado de Ariano Suassuna, do I Congresso Regional de Cantadores, realizado em 1948 no Recife, segundo Paulo Cardoso.

Chegou a cantar a convite de grandes autoridades políticas, a exemplo dos Presidentes Jânio Quadros e João Goulart, e outros.

Em 1949, bacharelou-se em Letras Clássicas, pela Faculdade de Filosofia do Ceará em Fortaleza.

Entre 1950 a 1955 residiu nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Em São Paulo, apresentou-se, cantando e declamando, no Palácio dos Bandeirantes, a convite do então Governador Ademar de Barros. Ainda em São Paulo trabalhou para o “Jornal Última Hora”, “Gazeta de Notícias” e “Revista A Semana”.

O seu trabalho jornalístico lhe rendeu dois Prêmios Esso de Reportagem, sendo um em 1965 com a reportagem “A Fronteira do Fim do Mundo”, sobre a Amazônia e o Território de Roraima, e o outro em 1966, com a reportagem “Boa Esperança é Sonho Transformado em Realidade”, a qual falava sobre a Hidroelétrica Boa Esperança, no Piauí.

Ainda como jornalista ganhou menção honrosa com uma matéria intitulada “No Mundo Amargo do Açúcar”, sobre o trabalho nos engenhos de açúcar de Pernambuco.

Em 1954, no Rio de Janeiro, Rogaciano casou-se com a cearense Maria José Ramos Cavalcante com quem teve seis filhos: Rogaciano Filho, Anita Garibaldi, Roberto Lincoln, Helena Roraima, Rosana Cristina e Ricardo Wagner.

Em 1955 voltou a residir em Fortaleza, onde passaria a ser funcionário do Banco do Nordeste do Brasil, chegando a ser convidado por Costa Porto para assumir o cargo de Secretário Particular do Presidente e Relações Públicas da instituição. Depois se licenciou do Banco para dedicar-se ao jornalismo e a poesia, fazendo uma turnê de declamações poéticas pelo país. No dia em que faleceu, deveria estar se apresentando em um espetáculo no Teatro do Rio de Janeiro.

Seu talento poético atravessou fronteiras e, a partir de 1968, passou uma temporada na França e em outros países da Europa, chegando até a União Soviética. Em passagem pela URSS, deixou registrado em monumento na Praça de Moscou, um de seus famosos poemas, intitulado “Os Trabalhadores”, que segundo Paulo Cardoso, foi traduzido para vinte e cinco idiomas.

Publicou em Plaquetas e Cordéis, os poemas: “Acorda Castro Alves”; “Quando Eles se Encontram Novamente”; Dois de Dezembro”; “Poemas Escolhidos” (publicado em 1956 pela Imprensa Oficial em Fortaleza, com 48 páginas); “O Cantador Antonio Marinho” (pulicado, como separata da Revista de Investigações em São Paulo, em 1950, com 25 páginas) e o mais famoso de todos, “A Morte de Maria Coquinha”.

A sua maior e mais citada obra é o livro “Carne e Alma”, com vários poemas, publicado pela primeira vez em 1950 no Rio de Janeiro pela editora Pongetti, com Prefácio de Luis da Câmara Cascudo. Ao longo dos anos, essa obra recebeu elogiosos aplausos por parte da crítica literária brasileira, a exemplo de Mauro Mota, Gilberto Freyre, Costa Porto, Assis Chateaubriand, Jorge Amado e outros. Em 2009, a 4ª edição do Livro “Carne e Alma” foi lançada em Itapetim, no aniversário de 40 anos de morte do poeta, inclusive com a presença de sua filha, Helena Roraima.

Outro famoso poema também pulicado é “Cabelos Cor de Prata”, feito de improviso em Recife e gravado em forma de música pelo cantor Silvio Caldas.

Rogaciano foi um poeta completo, indo do popular ao erudito. A sua produção literária como poeta erudito, assemelha-se a de Castro Alves, em quem sempre se espelhou. Dos escritos eruditos do poeta, além do poema “Os Trabalhadores” e o soneto “Se Voltares”, destacam-se também os poemas “A Terra”, “O Homem” e “Os Flagelados”, escritos em 1953 no Jornal Última Hora de São Paulo.

Como repentista popular, Rogaciano recebeu influência de vários poetas populares, especialmente do Cego Aderaldo, de quem foi grande amigo, parceiro e admirador.

Rogaciano Leite faleceu em 07 de outubro de 1969 no Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, vítima de um infarto do miocárdio. Ele foi sepultado no Cemitério São João Batista em Fortaleza-CE, cidade onde residia e terra natal de sua esposa.

Em Itapetim-PE, também conhecida como “Ventre imortal da poesia”, Rogaciano é visto como o filho mais famoso, inclusive com uma estátua exposta em uma das principais praças da cidade que traz o nome do poeta.

(Blog Reporter do Sertão,Informações do Prof. Marcos Nunes)

2 Responses to Se estivesse vivo, Rogaciano Leite, completaria 98 anos neste domingo; veja a história do poeta e jornalista itapetinense

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *