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Supremo escárnio: no país em frangalhos, STF se dá aumento de 16%.

No país em que 13,2 milhões de trabalhadores estavam desempregados em junho, segundo o IBGE, e o salário mínimo fica abaixo de R$ 1 mil, empresas, hospitais e escolas fechando por falta de recursos, os supremos ministros do país decidiram, por 7 votos a 4, se conceder um aumento de 16,3%.

Com o aumento, o salário deles passa de R$ 33,8 mil, o teto do funcionalismo, para R$ 39, 3 mil, ou quase 40 salários mínimos, fora todos os penduricalhos. Cada juiz em R$ 47, 7 mil por mês, antes do aumento aprovado. Só o Supremo Tribunal Federal prevê para 2019 um gasto de R$ 741 milhões com os 11 ministros. Apenas  o Judiciário vai gastar outros R$ 717,2 milhões por ano. E não para por aí: o efeito cascata deste aumento vai beneficiar os três níveis do funcionalismo, Ministério Público, Tribunais de Contas e, claro, os nobres parlamentares, chegando a um total de R$ 3 bilhões nos cálculos mais modestos. E teve ministro qualificou o índice de “modestíssimo”.

Pergunto: o presidente Michel Temer, investigado num balaio de denúncias de corrupção no STF, vai ter coragem de vetar esse aumento, sabendo que em janeiro perde o foro privilegiado e pode cair nas mãos de qualquer juiz de primeira instância?

Qual é o deputado ou senador, entre as centenas com pendências na Justiça, que vai vetar um aumento para os juízes que poderão, eventualmente, mandá-los para a cadeia?

Para eles, os donos do Brasil, tudo; para os restantes 200 milhões de brasileiros, as migalhas que sobrarem do orçamento que eles próprios fazem e aprovam.Manda quem pode, obedece quem tem juízo e não quer ir em cana por desacato à autoridade.Diante deste escárnio, bem disse ao Globo desta quinta-feira o economista Raul Vellosso, especialista em contas públicas:“Quem manda nesse país são as grandes corporações de servidores públicos”. E ainda tem o maldito do auxílio-moradia.Pobre do próximo presidente a ser eleito no dia 7 de outubro, que não vai herdar um país, mas uma massa falida.

Eles não vão deixar pedra sobre pedra depois da divisão do butim do golpe, “com Supremo, com tudo”.

Vida que segue.

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