{"id":110517,"date":"2026-09-16T23:04:08","date_gmt":"2026-09-17T02:04:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdomarcellopatriota.com.br\/blog\/?p=110517"},"modified":"2026-09-16T23:04:08","modified_gmt":"2026-09-17T02:04:08","slug":"brejinho-onde-nasce-o-pajeu-e-floresce-a-forca-do-sertao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdomarcellopatriota.com.br\/blog\/brejinho-onde-nasce-o-pajeu-e-floresce-a-forca-do-sertao\/","title":{"rendered":"Brejinho: Onde nasce o Paje\u00fa e floresce a for\u00e7a do sert\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><em><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-326655 entered litespeed-loaded alignright\" src=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-1.webp\" sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" srcset=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-1.webp 596w, https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-1-300x169.webp 300w\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"244\" data-lazyloaded=\"1\" data-src=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-1.webp\" data-srcset=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-1.webp 596w, https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-1-300x169.webp 300w\" data-sizes=\"(max-width: 598px) 100vw, 598px\" data-ll-status=\"loaded\" \/>\u201cHoje o meu abra\u00e7o vai<\/em><br \/>\n<em>Para o povo de Brejinho<\/em><br \/>\n<em>Onde a poesias faz<\/em><br \/>\n<em>Em cada arbusto um ninho<\/em><br \/>\n<em>E a terra que Jo\u00e3o Pedro<\/em><br \/>\n<em>Cuidou com todo o carinho\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Por: Ademar Rafael<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Rinaldo Rem\u00edgio*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cidades que nascem \u00e0s margens de um rio. Brejinho possui um privil\u00e9gio ainda maior: \u00e9 em suas terras que nasce o pr\u00f3prio Rio Paje\u00fa. Antes de atravessar o Sert\u00e3o, alimentar hist\u00f3rias e inspirar poetas, suas \u00e1guas brotam na Serra da Balan\u00e7a, na divisa entre Pernambuco e Para\u00edba. Por essa raz\u00e3o, o munic\u00edpio carrega, com justi\u00e7a e orgulho, o t\u00edtulo de \u201cTerra M\u00e3e do Rio Paje\u00fa\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Localizada no Alto Sert\u00e3o do Paje\u00fa, a aproximadamente 415 quil\u00f4metros do Recife, Brejinho \u00e9 uma pequena cidade em popula\u00e7\u00e3o, mas imensa em significado hist\u00f3rico, cultural e ambiental. Segundo estimativa do IBGE para 2026, o munic\u00edpio possui pouco mais de oito mil habitantes. Al\u00e9m da sede, seu territ\u00f3rio compreende os povoados de Vila de F\u00e1tima, Lagoinha e Placas de Piedade, bem como diversas comunidades rurais onde permanecem vivos os costumes e os valores do povo sertanejo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria de Brejinho come\u00e7ou muito antes de sua emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. H\u00e1 registros da presen\u00e7a de fam\u00edlias na regi\u00e3o desde o s\u00e9culo XIX, quando aquelas terras serviam de passagem para comerciantes que transitavam entre Teixeira, na Para\u00edba, e o Alto Paje\u00fa pernambucano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, foi no dia 6 de fevereiro de 1928 que a comunidade come\u00e7ou efetivamente a tomar forma. Na casa de Manoel Sim\u00e3o da Silva, conhecido como Seu Paizinho, no s\u00edtio Brejo de Jos\u00e9 Nunes, o padre Jo\u00e3o Leite Gon\u00e7alves de Andrade celebrou a primeira missa daquela localidade. A partir daquele encontro de f\u00e9, o religioso tamb\u00e9m incentivou a cria\u00e7\u00e3o de uma feira livre, atraindo comerciantes e moradores das redondezas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, Brejinho nasceu da uni\u00e3o de tr\u00eas elementos fundamentais para a forma\u00e7\u00e3o das cidades sertanejas: a f\u00e9, o trabalho e a conviv\u00eancia comunit\u00e1ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pouco depois, iniciou-se a constru\u00e7\u00e3o da Capela de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, conclu\u00edda em janeiro de 1932. Naquele mesmo ano aconteceu a primeira festa dedicada ao padroeiro. A celebra\u00e7\u00e3o atravessou gera\u00e7\u00f5es e permanece como uma das manifesta\u00e7\u00f5es religiosas e culturais mais importantes do munic\u00edpio. Todos os anos, no m\u00eas de janeiro, filhos da terra, moradores das comunidades rurais e visitantes reencontram-se para renovar a f\u00e9, preservar as tradi\u00e7\u00f5es e fortalecer os la\u00e7os de pertencimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brejinho pertenceu inicialmente a S\u00e3o Jos\u00e9 do Egito. Com a emancipa\u00e7\u00e3o de Itapetim, em 1953, passou a integrar o territ\u00f3rio do novo munic\u00edpio. Em 10 de abril de 1962, o povoado foi elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de distrito. A autonomia municipal veio por meio da Lei Estadual n\u00ba 4.996, de 20 de dezembro de 1963, que entrou em vigor no primeiro dia de 1964.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A instala\u00e7\u00e3o oficial do munic\u00edpio ocorreu em 22 de fevereiro de 1964, com a posse do prefeito interino Ivo Vicente Ferreira. Em 1965, Jos\u00e9 Severino de Ara\u00fajo tornou-se o primeiro prefeito escolhido pelo voto popular. Come\u00e7ava, assim, uma nova etapa da caminhada pol\u00edtica e administrativa da cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas Brejinho n\u00e3o guarda apenas a hist\u00f3ria mais recente. Em localidades como os s\u00edtios Bel\u00e9m, Caldeir\u00e3o e Laje do Agostinho encontram-se forma\u00e7\u00f5es rochosas e registros rupestres que apontam para ocupa\u00e7\u00f5es humanas muito antigas. Pedra do Letreiro, Pedra Bonita, Pedra do \u00cdndio, Pedra do Milho, Pedra Grande e Gruta do Morcego formam um patrim\u00f4nio natural e arqueol\u00f3gico que merece ser conhecido, estudado e preservado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft wp-image-326656 entered litespeed-loaded\" src=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53.webp\" sizes=\"(max-width: 345px) 100vw, 345px\" srcset=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53.webp 399w, https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-239x300.webp 239w\" alt=\"\" width=\"345\" height=\"433\" data-lazyloaded=\"1\" data-src=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53.webp\" data-srcset=\"https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53.webp 399w, https:\/\/blogdofinfa.com.br\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/WhatsApp-Image-2026-09-16-at-11.01.53-239x300.webp 239w\" data-sizes=\"(max-width: 345px) 100vw, 345px\" data-ll-status=\"loaded\" \/>A Igreja Matriz de S\u00e3o Sebasti\u00e3o, o A\u00e7ude da Serraria, a Casa de Manoel Lulu, a Pedra do Papa e, sobretudo, a nascente do Rio Paje\u00fa completam um conjunto de riquezas com grande potencial tur\u00edstico. Esse patrim\u00f4nio ganhou maior proje\u00e7\u00e3o com a inclus\u00e3o de Brejinho no Mapa do Turismo do Brasil, em dezembro de 2025.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre todas essas riquezas, a nascente do Paje\u00fa ocupa lugar especial. De acordo com a Ag\u00eancia Pernambucana de \u00c1guas e Clima, o rio nasce na Serra da Balan\u00e7a e percorre aproximadamente 353 quil\u00f4metros at\u00e9 encontrar as \u00e1guas do S\u00e3o Francisco, no Lago de Itaparica. Sua bacia hidrogr\u00e1fica, a maior de Pernambuco, ocupa cerca de 17% do territ\u00f3rio estadual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 emocionante imaginar que um rio t\u00e3o presente na geografia, na economia, na mem\u00f3ria e na poesia sertaneja come\u00e7a discretamente em solo brejinhense. O Paje\u00fa nasce pequeno, mas cresce durante o caminho \u2014 exatamente como tantas cidades do Sert\u00e3o, cuja grandeza n\u00e3o se mede apenas pelo tamanho, mas pela capacidade de alimentar sonhos, hist\u00f3rias e esperan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brejinho tamb\u00e9m est\u00e1 inserida na tradi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica do Paje\u00fa. Um de seus filhos mais representativos foi o poeta e cantador Jo\u00e3o Izidro Ferreira, nascido em 1897 no s\u00edtio Serraria. Viajando a cavalo, cantou em feiras, resid\u00eancias e sal\u00f5es, dividindo desafios com nomes como Lourival Batista, Pinto do Monteiro, J\u00f3 Patriota e Pedro Amorim. Sua trajet\u00f3ria ajuda a demonstrar que a cantoria de viola encontrou em Brejinho terreno f\u00e9rtil para criar ra\u00edzes. Ao lado dele, tamb\u00e9m s\u00e3o lembrados poetas brejinhenses como Pedro Jacinto, Vital Paca e Nicolau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa proximidade com Teixeira, na Para\u00edba, um dos ber\u00e7os da cantoria nordestina, transformou Brejinho em uma importante porta de entrada da poesia improvisada no Paje\u00fa. Ali, a palavra cantada atravessou serras, feiras e gera\u00e7\u00f5es, tornando-se parte insepar\u00e1vel da identidade brejinhense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como tantas cidades do semi\u00e1rido, Brejinho enfrentou longos per\u00edodos de escassez de \u00e1gua. Por isso, a implanta\u00e7\u00e3o do Ramal Amb\u00f3\u2013Brejinho, integrado ao Sistema Adutor do Paje\u00fa, representou uma conquista hist\u00f3rica. A chegada das \u00e1guas do S\u00e3o Francisco trouxe maior seguran\u00e7a h\u00eddrica \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Posteriormente, foram iniciadas extens\u00f5es destinadas aos povoados de Lagoinha e Vila de F\u00e1tima, ampliando a esperan\u00e7a de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para as comunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brejinho continua avan\u00e7ando por meio da agricultura, do pequeno com\u00e9rcio, dos servi\u00e7os, do empreendedorismo e do trabalho di\u00e1rio de seu povo. Cada rua pavimentada, cada pra\u00e7a recuperada, cada escola fortalecida e cada melhoria no abastecimento representam conquistas constru\u00eddas coletivamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conhecer Brejinho \u00e9 compreender que a grandeza de uma cidade n\u00e3o depende do n\u00famero de habitantes nem da extens\u00e3o de seu territ\u00f3rio. Depende da for\u00e7a de sua hist\u00f3ria, da dignidade de seu povo e da contribui\u00e7\u00e3o que oferece \u00e0 regi\u00e3o onde est\u00e1 inserida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Brejinho \u00e9 terra de f\u00e9 e trabalho, de vaqueiros e agricultores, de cantadores e contadores de hist\u00f3rias. \u00c9 lugar onde a caatinga resiste, a poesia encontra abrigo e a \u00e1gua inicia sua longa caminhada pelo Sert\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pequena no mapa, mas grandiosa na mem\u00f3ria do Paje\u00fa, Brejinho \u00e9 a terra onde nasce um rio e de onde continuam brotando hist\u00f3rias, versos, sonhos e esperan\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>*Professor universit\u00e1rio aposentado, administrador de empresas, contador, historiador e mestre em economia!<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&ldquo;Hoje o meu abra&ccedil;o vai Para o povo de Brejinho Onde a poesias faz Em cada arbusto um ninho E a terra que Jo&atilde;o Pedro Cuidou com todo o carinho&rdquo; Por: Ademar Rafael Por Rinaldo Rem&iacute;gio* H&aacute; cidades que nascem &agrave;s margens de um rio. 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