{"id":25346,"date":"2020-04-11T19:35:28","date_gmt":"2020-04-11T22:35:28","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdomarcellopatriota.com.br\/blog\/?p=25346"},"modified":"2020-04-11T19:35:28","modified_gmt":"2020-04-11T22:35:28","slug":"com-amor-tuparetama","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdomarcellopatriota.com.br\/blog\/com-amor-tuparetama\/","title":{"rendered":"Com amor, Tuparetama!"},"content":{"rendered":"<p><em><strong><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-large wp-image-172519\" src=\"https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?resize=400%2C400&amp;ssl=1\" sizes=\"(max-width: 400px) 100vw, 400px\" srcset=\"https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?resize=400%2C400&amp;ssl=1 400w, https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?resize=250%2C250&amp;ssl=1 250w, https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?w=1280&amp;ssl=1 1280w\" alt=\"\" width=\"400\" height=\"400\" data-attachment-id=\"172519\" data-permalink=\"https:\/\/nilljunior.com.br\/com-amor-tuparetama\/img-20200411-wa0379\/\" data-orig-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?fit=1280%2C1280&amp;ssl=1\" data-orig-size=\"1280,1280\" data-comments-opened=\"1\" data-image-meta=\"{&quot;aperture&quot;:&quot;0&quot;,&quot;credit&quot;:&quot;&quot;,&quot;camera&quot;:&quot;&quot;,&quot;caption&quot;:&quot;&quot;,&quot;created_timestamp&quot;:&quot;0&quot;,&quot;copyright&quot;:&quot;&quot;,&quot;focal_length&quot;:&quot;0&quot;,&quot;iso&quot;:&quot;0&quot;,&quot;shutter_speed&quot;:&quot;0&quot;,&quot;title&quot;:&quot;&quot;,&quot;orientation&quot;:&quot;0&quot;}\" data-image-title=\"IMG-20200411-WA0379\" data-image-description=\"\" data-medium-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?fit=250%2C250&amp;ssl=1\" data-large-file=\"https:\/\/i1.wp.com\/nilljunior.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG-20200411-WA0379.jpg?fit=400%2C400&amp;ssl=1\" \/>Por Mariana Teles *<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Cresci na rua do Hospital. Atravessando a pista escondido de minha m\u00e3e para comprar pipoca e balas na rodovi\u00e1ria, naquela sempre paci\u00eancia de Seu Ant\u00f4nio Mago despachando, enquanto a sinuca e a zuada do jogo de domin\u00f3 se ouvia de longe.<\/p>\n<p>Aprendi a ler juntando as letras dos versos que ficavam nas paredes da antiga f\u00e1brica de doce, tamb\u00e9m do outro lado da pista. Nesse tempo eu nem sabia que Tuparetama tinha ficado conhecida l\u00e1 fora, justamente por suas paredes todas pintadas com poesias. Coisa da cabe\u00e7a de Pedro de Tunu, ou melhor, do cora\u00e7\u00e3o. Eu acho que Pedro s\u00f3 tem cora\u00e7\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>Dizem que s\u00f3 se v\u00ea bem quando se ver de longe. Eu sempre vi Tuparetama com uma mistura muito apaixonada (dos olhos de Pedro Tunu e dos versos de Valdir), n\u00e3o tinha como n\u00e3o crescer amando Bom Jesus do Paje\u00fa e achando ela a cidade mais bonita \u201cem linha reta do sert\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Mas foi de longe, exatamente dez anos ausente de suas salas de aula, da breve e intensa milit\u00e2ncia no movimento estudantil (que legou uma gera\u00e7\u00e3o de novos l\u00edderes \u00e0 nossa pol\u00edtica), onde eu descobri talvez a voca\u00e7\u00e3o para alguma coisa. Precisei me defender tanto nas brigas da escola, que devo ter terminado me tornando advogada por isso. Pense numa menina que n\u00e3o ficava calada. Tem uma ruma de professor que n\u00e3o me desmente.<\/p>\n<p>A Tuparetama da minha inf\u00e2ncia tinha uma ficha amarela de livros na Biblioteca Municipal e a docilidade de Helena ou Socorrinha registrando os exemplares que eu pegava. Toda semana. Quando dava sorte, ainda encontrava Tarcio por l\u00e1 e adorava \u201ccomer o ju\u00edzo\u201d dele. Continuo gostando de fazer isso, sempre que posso.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o sei falar de Tuparetama sem falar de quem faz Tuparetama. Da gera\u00e7\u00e3o de ouro do nosso teatro, de Antonio Jos\u00e9 e F\u00e1tima. Lembro quando Odilia, j\u00e1 reconhecida em Pernambuco, trouxe o espet\u00e1culo DECRIPOLOU TOTEPOU (De crian\u00e7as, poetas e loucos, todos temos um pouco). Mas lembro mais ainda das minhas tardes nas aulas de refor\u00e7o no quintal de sua m\u00e3e, dona Lourdinha, me repetindo exaustivamente que antes de P e B s\u00f3 se escreve M.<\/p>\n<p>Ah, e os computadores? Eu achava o m\u00e1ximo por que l\u00e1 em casa tinha dois, tinha fax, tinha m\u00e1quina de gravar de CD e Glaubenio j\u00e1 manuseava uma filmadora Panasonic de bem meio quilo\u2026 N\u00e3o aprendi muita coisa dessa tecnologia toda, ele sim. Mas levei muito tabefe por mexer onde n\u00e3o devia. Fiz todos os cursos do Rotary, dando trabalho a Vanessa e perguntando mais do que o homem da cobra.<\/p>\n<p>Galderise era presidente do Interact. Vivia escrevendo discursos em casa, organizando a\u00e7\u00e3o de entregar cesta b\u00e1sica e se dividia entre o magist\u00e9rio na Escola C\u00f4nego e o Cient\u00edfico no Ernesto, ainda tinha tempo de me ensinar a tarefa de casa e me levar aos s\u00e1bados para aprender ingl\u00eas com Dona Maria Jos\u00e9 de Lima, ele aprendeu, eu n\u00e3o.<\/p>\n<p>Na Tuparetama da mem\u00f3ria de menina, a mesma mem\u00f3ria que invoco quando a vida quer questionar meu pertencimento, depois de conhecer, viver e at\u00e9 amar tantas outras terras, existe ainda aqueles olhos pulando da cara, quando via o nosso premiado bal\u00e9 subindo nas pernas de pau e alcan\u00e7ando o mundo.<\/p>\n<p>Tuparetama foi a escolha de vida de meu pai. Foi ninho. Aquela hora da vida que a gente olha e diz: \u00e9 aqui. Cheguei em casa. Fui a \u00fanica da prole que nasceu no Paje\u00fa, os meninos j\u00e1 chegaram de bermuda e correndo com passarinhos nas ladeiras da Andrelino Rafael, ou o comecinho da Rua do Banco do Brasil, l\u00e1 perto da casa de Jo\u00e3o Lima.<\/p>\n<p>Comprei tecido em Rosalva e usei muitos vestidos costurados pelas preciosas m\u00e3os de Carmi. Tenho um \u00e1lbum completo de fotos de Dona Deja e de Glaucia. E quem n\u00e3o tem?<\/p>\n<p>\u00c9 essa Tuparetama que me fez gente. Que me fez aumentar (e muito) o padr\u00e3o de refer\u00eancia de cidade limpa, organizada e acolhedora. Uma amiga querida deputada no Piau\u00ed (Janainna Marques) em toda cidade que cheg\u00e1vamos pelas andan\u00e7as de l\u00e1, ela dizia: \u201cj\u00e1 sei, vai dizer que Tuparetama \u00e9 melhor e mais organizada\u201d. E sempre era.<\/p>\n<p>Eu teria tanta coisa para falar institucionalmente, dos indicadores da nossa educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica e do meu orgulho de ser fruto dela, do constante crescimento que observo a cada ida, do empreendedorismo criativo, da nossa artesania, do Balaio Cultural que tive a honra de ajudar na constru\u00e7\u00e3o e apresentar a sua primeira edi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas a Tuparetama que hoje fala mais alto ao meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nem de longe, mesmo que igualmente me orgulhe, a cidade dos n\u00fameros e das obras. Nisso Nossa gest\u00e3o municipal \u00e9 especialista. J\u00e1 provou. Mas \u00e9 a cidade feita de gente, de hist\u00f3rias e esquinas.<\/p>\n<p>De quem teve medo de Jabuti, quem dan\u00e7ou no pastoril de Dona Datargnan, quem passava a semana do munic\u00edpio estudando a letra do nosso hino e os nomes que constru\u00edram a nossa emancipa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>(Fica a sugest\u00e3o para reedi\u00e7\u00e3o do Livro de Tuparetama: o Livro do Munic\u00edpio, barsa da nossa hist\u00f3ria e ausente da forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es.)<\/p>\n<p>\u00c9 a Tuparetama dos poetas, das cantorias de pouca gente e muito repente. Da imponente Igreja Matriz, nossa bas\u00edlica de f\u00e9 e beleza iluminando a rua principal. E das paqueras de final de missa tamb\u00e9m.<\/p>\n<p>A Tuparetama que me deu saudades hoje foi a das excurs\u00f5es para o Monte Alegre e o banho de bica na churrascaria. Do misto quente e do suco de J\u00e2nio, ou quando Painho chegava cansado de viagem e dizia: \u201cv\u00e1 buscar um bodinho assado l\u00e1 em Josete.\u201d<\/p>\n<p>Tuparetama \u00e9 feita de gente, de personagens. Nosso capital \u00e9 humano. \u00c9 inesgot\u00e1vel. Nossa safra n\u00e3o padece de ver\u00f5es, a cada ida eu descubro com alegria um novo talento.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do capital humano, a gente consegue uma verdadeira goleada na nossa infraestrutura. Beleza e Tuparetama \u00e9 quase a mesma rima.<\/p>\n<p>Foi de longe, dos sert\u00f5es da Para\u00edba, do extremo norte do Piau\u00ed (e do Sul tamb\u00e9m), das salas de aula de Recife, Bras\u00edlia e S\u00e3o Paulo, dos palcos que a arte, mesmo sendo hobbie, me levou, que eu aprendi a olhar de longe e amar ainda mais de perto Tuparetama.<\/p>\n<p>A gente nem precisa discutir t\u00edtulo de Princesa. Porque a gente sabe que \u00e9 mesmo. Essa hist\u00f3ria de melhor \u00edndice de bem estar do Brasil \u00e9 s\u00f3 pra figurar em revista\u2026 Nosso melhor \u00edndice mesmo \u00e9 de qualquer coisa.<\/p>\n<p>Eu n\u00e3o preciso esperar 11 de Abril para escrever o quanto de Tuparetama ainda vive em mim. Mesmo depois de uma caminhada de exatamente uma d\u00e9cada fora das suas ladeiras, do seu S\u00e3o Pedro e das suas lutas.<\/p>\n<p>S\u00f3 a gente sabe o gosto de repetir, praticamente traduzindo (em portugu\u00eas e em geografia) onde fica e de onde somos. N\u00e3o, \u00e9 Tuparetama, n\u00e3o \u00e9 Toritama n\u00e3o, nem Tupanatinga\u2026 \u00c9 aquela, perto de S\u00e3o Jos\u00e9. Quem nunca teve que explicar isso?<\/p>\n<p>\u00c9 aquele peda\u00e7o do cora\u00e7\u00e3o e do olhar, que mesmo exposto ao mundo, as mazelas do sistema, aos corredores das academias, aos instantes de palco, aos bastidores das estrat\u00e9gias, que continua intoc\u00e1vel em meu cora\u00e7\u00e3o de menina.<\/p>\n<p>\u00c9 sempre o melhor destino, porque eu at\u00e9 sei para onde estou caminhando, mas sei mais ainda de onde come\u00e7ou a caminhada.<\/p>\n<p>Meu beijo mais especial a minha terra, hoje vale por dois. \u00c9 meu e de Valdir, sem a suspei\u00e7\u00e3o de filha, desconhe\u00e7o outra locomotiva que exportou mais o nome de Tuparetama para o mundo.<\/p>\n<p>58 anos. Tinha que falar disso. Desde o come\u00e7o. Mas o cora\u00e7\u00e3o mudou o mote e eu terminei s\u00f3 alforriando as lembran\u00e7as da menina que nem sabia que correndo na rua do Hospital e atravessando a pista, estava aprendendo a atravessar desde ent\u00e3o, as turbul\u00eancias da vida e correr atr\u00e1s do que acredita. 23 de Mar\u00e7o fiz a pior viagem que poderia fazer para Tuparetama (e a mais longa), mas com uma certeza serena em meu cora\u00e7\u00e3o, Valdir n\u00e3o escolheria descansar em um lugar diferente.<\/p>\n<p>Viva Tuparetama e os tantos anos de conquistas que ainda vir\u00e3o. Parab\u00e9ns aos meus irm\u00e3os que nas artes, nas salas de aula, no campo ou na luta pol\u00edtica est\u00e3o cuidando e ajudando a construir a Tuparetama que nunca deixou de caminhar para o futuro.<\/p>\n<p><strong>*Poetisa e Advogada.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariana Teles * Cresci na rua do Hospital. 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