{"id":41198,"date":"2021-06-06T14:23:33","date_gmt":"2021-06-06T17:23:33","guid":{"rendered":"http:\/\/blogdomarcellopatriota.com.br\/blog\/?p=41198"},"modified":"2021-06-06T14:23:33","modified_gmt":"2021-06-06T17:23:33","slug":"de-cachoeira-a-albuquerque-ne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogdomarcellopatriota.com.br\/blog\/de-cachoeira-a-albuquerque-ne\/","title":{"rendered":"De Cachoeira a Albuquerque N\u00e9"},"content":{"rendered":"<figure style=\"width: 493px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"http:\/\/maispajeu.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-05-at-08.33.08.jpeg\" alt=\"De Cachoeira a Albuquerque N\u00e9\" width=\"503\" height=\"207\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">(<em><strong>Mapa de PE com o tra\u00e7ado da Estrada de Ferro e o registro da esta\u00e7\u00e3o Cachoeira)<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p><strong>Por Alexsandro Acioly<\/strong><\/p>\n<p>Pegando um \u201cbig\u00fa\u201d no bico da caneta de Ulysses Lins, viajo ao passado atrav\u00e9s da linha f\u00e9rrea da Great Western.<\/p>\n<p>Por muitos anos, passei pela povoa\u00e7\u00e3o de Albuquerque N\u00e9 e, sempre ao olhar para a esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria, me perguntava o porqu\u00ea do nome desse lugar. Eis que, depois de ler a trilogia do moxotoense Ulysses Lins, encontrei resposta para a pergunta que vivia no meu imagin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Vale salientar que, o lugarejo onde foi constru\u00edda a Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria de Albuquerque N\u00e9, outrora se chamava Cachoeira e ficava em terras pertencentes a Rio da Barra, este distrito de Alagoa de baixo, atual Sert\u00e2nia.\u00a0 Por que n\u00e3o foi colocado o nome da esta\u00e7\u00e3o \u201cCachoeira\u201d, j\u00e1 que o lugar era assim denominado? \u00c9 que o nome usado foi para homenagear uma das figuras importantes daquela regi\u00e3o do Moxot\u00f3: Manuel Coelho Lins de Albuquerque.<\/p>\n<figure style=\"width: 379px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/maispajeu.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/06\/WhatsApp-Image-2021-06-05-at-08.33.08-1.jpeg\" alt=\"\" width=\"389\" height=\"258\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">(<em><strong>Esta\u00e7\u00e3o de Albuquerque N\u00e9 em 2002)<\/strong><\/em><\/figcaption><\/figure>\n<p>Mas, quem foi esse camarada?\u00a0 Manuel Coelho Lins de Albuquerque, na verdade, era da regi\u00e3o de Bu\u00edque \u2013 mais precisamente do S\u00edtio Quiridalho. Sua vinda para Alagoa de Baixo se deu pelo fato de casar-se com uma filha da terra.\u00a0 Manuel era dono de fazendas em Alagoa de Baixo. Tamb\u00e9m foi chefe pol\u00edtico por alguns anos e coronel da Guarda Nacional, patente essa que recebeu com bastante orgulho e que o deixou bastante envaidecido; segundo nos conta Ulysses Lins no livro Moxot\u00f3 Brabo.<\/p>\n<p>Alagoa de Baixo, Rio da Barra, Cachoeira\u2026<\/p>\n<p>E Albuquerque N\u00e9, onde \u00e9 que entra nessa hist\u00f3ria?\u00a0 Segundo o pr\u00f3prio Ulysses Lins, e algumas outras pessoas com quem tive o privil\u00e9gio de conversar, at\u00e9 hoje as pessoas mais velhas (ou para melhor explicar, algumas pessoas daquela \u00e9poca) tem o costume de acrescentar o apelido ao final do nome. Foi isso que aconteceu com Manuel Coelho Lins de Albuquerque, que era chamado de Seu N\u00e9.<\/p>\n<p>A Estrada de Ferro Central de Pernambuco foi aberta em 1885, de Recife a Jaboat\u00e3o, pela Great Western do Brasil. Mas, s\u00f3 em 1941, foi constru\u00eddo o pr\u00e9dio onde ainda hoje est\u00e1 erguida a esta\u00e7\u00e3o. Albuquerque N\u00e9 faleceu treze anos antes, em 11 de mar\u00e7o de 1920, de causas naturais. Foi sepultado no antigo cemit\u00e9rio que, anos depois, foi demolido e constru\u00edda a Pra\u00e7a Martins J\u00fanior. A inaugura\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o foi em 06 de Dezembro de 1941, e contou com a presen\u00e7a de v\u00e1rias autoridades.<\/p>\n<p>O governador Agamenon Magalh\u00e3es, referindo-se \u00e0 inaugura\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o Albuquerque N\u00e9, disse:<\/p>\n<p>\u201cOs fazendeiros do Moxot\u00f3, talvez por isso, pediram ao governo que desse o nome de Albuquerque N\u00e9 \u00e0 primeira esta\u00e7\u00e3o do prolongamento da Central de Alagoa de Baixo. Os trilhos n\u00e3o poderiam atravessar o vale do Moxot\u00f3, esquecendo o homem que foi o chefe, o guia, o var\u00e3o probo, o s\u00edmbolo das virtudes sertanejas. A maior homenagem que pod\u00edamos prestar aos vaqueiros do Moxot\u00f3 foi essa. Foi escrever na esta\u00e7\u00e3o de Cachoeira o nome de Albuquerque N\u00e9.\u201d A partir daquele momento a esta\u00e7\u00e3o seria a ponta de linha (como eram denominadas as esta\u00e7\u00f5es inauguradas) da Central de Pernambuco. Durante sete anos ela manteve esta \u201cpatente\u201d, at\u00e9 ser inaugurada a esta\u00e7\u00e3o do distrito de Iraja\u00ed. O distrito s\u00f3 passa a ser chamado de Albuquerque N\u00e9 doze anos depois; atrav\u00e9s da Lei Municipal n\u00ba 133, de 14 de Fevereiro de 1953.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexsandro Acioly Pegando um &ldquo;big&uacute;&rdquo; no bico da caneta de Ulysses Lins, viajo ao passado atrav&eacute;s da linha f&eacute;rrea da Great Western. 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