
2° DIA DE ISOLAMENTO
Ainda sinto medo. Já vinha cumprindo a quarentena, pois desde que ouvi falar na COVID-19 temi a doença. No entanto, ainda assim e também por cumprir as normas exigidas pela vigilância sanitária, senti o vírus como um mal distante e que, com fé, não nos atingiria.
Não temos qualquer sintoma, graças a Deus. Espero em Deus não estar doente, mas espero mais ainda que a cura venha pra todos. Que esse mal se dissipe.
Vejo a grande diferença entre estar em casa por querer ou por necessidade e já começo a sentir saudade de me sentir livre.
As redes sociais nos fazem sentir próximos de quem estamos fisicamente afastados. Isso tem o lado negativo porque mesmo de longe podemos sentir o medo das pessoas, o que é totalmente compreensível, e a minha vontade é a de acalmar cada um, embora saiba que não depende de mim e só com o tempo virá a certeza de que qualquer risco passou. Podemos sentir também o preconceito de alguns diante da situação. Chega a ser revoltante porque as mesmas pessoas que duvidam da existência do corona vírus, da sua capacidade destrutiva, que reclamam das medidas preventivas que orientam a população ao distanciamento social, nessa situação também também fazem alarde, criticam, reagem com nojo, ferem sem fazer o mínimo que devem para se cuidar e cuidarem do próximo. Ao mesmo tempo, é através dessas mesmas redes sociais que descobrimos o porquê de Deus ainda não ter desistido da humanidade: A MAIORIA É BOA!
São muitas as mensagens de fé, de conforto, de disponibilização para ir fazer as compras que não podemos fazer. Pessoas queridas, pessoas conhecidas e pessoas com quem nunca tive contato. Todas enchendo meu coração de ternura e às quais agradeço.
Peço a cada um que redobre os cuidados, que aceite que a doença existe e que a precaução não depende apenas do governo, mas de cada um de nós, principalmente porque toda consequência desse mal reverterá sobre nós e nossa família.
Em breve nos veremos livres desse mal porque Deus é conosco!
3° DIA DE ISOLAMENTO
Continuamos em casa e sem sintomas.
Às vezes bate a revolta porque, mesmo sem nenhuma obrigação, fizemos questão de deixar bastante claro tudo o que está acontecendo, mas parece não ser suficiente porque algumas pessoas preferem, antes de se informar direitinho partir pra denúncia.
É compreensível o medo, mas não custa nada se informar direitinho.
Estão confundindo meu sobrinho que está com o Covid-19 com o meu irmão que não teve nenhum contato conosco. Por terem visto meu irmão na rua fizeram denúncia.
O que é triste é que cuidando da gente que está cumprindo rigorosamente o isolamento, estão esquecendo de cuidarem de si.
Por favor, eu compreendo o zelo, mas se informe direitinho. Tenham mais empatia, pois já não está fácil.
Reitero: MEU SOBRINHO PERMANECE EM CASA ISOLADO.
Joelma Brito de Araújo é Advogada e tia de Clécio , que faleceu de Covid-19.