DIA DA MULHER | Blog homenageia duas mulheres de fibra, Dona Lia do sindicato e Netinha Sindicalista

Maria Ferreira de Lima Sousa. Dona Lia, como era mais conhecida, foi a primeira mulher a assumir a presidência de um Sindicato de Trabalhadores/as Rurais (STR) em Pernambuco.

Dona Lia, que fez parte da história de luta e conquistas do Movimento Sindical Rural (MSTTR), deixou um grande legado.

Após seu ativismo, as mulheres trabalhadoras rurais de todo o Pais, ampliaram sua participação nos Sindicatos, e começaram a ter suas reivindicações específicas incluídas pelo conjunto do MSTTR.

Em todas essas lutas, Dona Lia estava lá. Foi ela que leu a Tese de defesa das mulheres no Congresso da CONTAG, que defendia espaço para as mulheres na Confederação dos Trabalhadores na Agricultura. A tese foi aprovada por unanimidade.

Não dá para contar tudo. Nesse meio têm muitas lutas que aconteceram e Dona Lia sempre fez parte. Não é exagero, é fato. O Sindicato de Itapetim, foi, por muitos anos, um dos mais combativos da região.Por que há um legado iniciado com ela há quarenta anos.

Do alto dos seus 82 anos, manteve a mesma índole, postura e filosofia de vida: defender o direito dos “sem voz e sem pão”. Dona Lia nos deixou em novembro de 2018.

O Viagem ao Passado deste domingo (8) presta uma singela homenagem a todas as mulheres sertanejas, e para isso, resgata uma imagem de uma guerreira serra-talhadense que saiu da zona rural para conquistar o mundo. A foto em destaque é da saudosa Vanete Almeida, conhecida com Netinha.

A imagem mostra Netinha em uma atividade do movimento dos trabalhadores rurais na década de 1980, cercada por várias lideranças, entre eles, o também saudoso Manoel Santos.

A fotografia é tão emblemática que acabou se tornando a capa do livro  “Ser Mulher num mundo de homens, de autoria de Cornélia Parisius. Vanete Almeida foi um símbolo para a sua geração e todas as outras que virão, por ser mulher negra, agricultora, sertaneja, militante e feminista, em um mundo de homens misóginos não é fácil. Porém, Netinha deixou o legado de que com muita luta e determinação isso é possível.

Seu trabalho com mulheres rurais teve início na década de 1980, quando saía de casa de madrugada e percorria 30 quilômetros de carona em caminhões com um único objetivo: conscientizar mulheres de seus direitos, quebrando séculos de repressão. Em um dos trechos do livro, publicado em 1999, ela justifica o abraço a causa feminista. “Minha revolta com os privilégios dos homens começou em casa mesmo. Mas nunca aceitei isso”.

A partir de 1996, tornou-se coordenadora internacional da Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe (Rede LAC), que ajudou a fundar. Foi ainda assessora da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Pernambuco (Fetape).

Vaneta Almeida integrou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher (CNDM) de 1996 a 2003. Em 2005, foi indicada junto com outras 51 mulheres do Brasil, ao Prêmio Nobel da Paz. Atualmente, era presidenta do CECOR (Centro de Educação Comunitária Rural), sediado em Serra Talhada.

Netinha faleceu em setembro de 2012, vitima de um câncer no útero. Ela também fez parte da Academia Serra-talhadense de Letras (ASL) e também dá o nome um dos residenciais do programa Minha Casa, Minha Vida.