Descaso de Raquel Lyra com a segurança atinge até câmeras de monitoramento da violência

 

Por Juliana Albuquerque – repórter do Blog  do Magno Martins

Com o tema Segurança Pública como principal plataforma de campanha, a governadora Raquel Lyra (PSDB) parece que não dá a mínima para o assunto após assumir o Governo, há quase um ano. Isto porque, além do atraso na divulgação de plano de segurança em substituição ao Pacto Pela Vida, o Juntos pela Segurança, que só aconteceu no mês passado, e sem resultados a curto prazo, o Governo agora escancarou de vez a sua incompetência na área.

Apesar de saber, desde fevereiro deste ano, sobre o encerramento do Termo de Ajuste de Conduta firmado, desde 2020, entre o Governo Paulo Câmara e a empresa responsável pelo videomonitoramento dos 358 equipamentos que orientam as ações das polícias em tempo real, até o momento, não há sequer uma licitação para outra empresa assumir esse trabalho.

Enquanto isso, prestes a encerrar o ano de 2023, e com as festividades de réveillon que vão reunir milhares de pessoas nas principais orlas do Estado, o Governo de Pernambuco promove um verdadeiro festival de bizarrices para tentar sanar o problema. Vende para a população a falsa ideia de segurança, ao divulgar um plano de ação que contempla, entre outras medidas, a implantação de “aeronaves não tripuladas (drones), helicópteros com equipamentos de alta tecnologia, além do uso de Plataformas de Observação Elevadas (POE)”.

Para se ter uma real ideia do tamanho do problema, cabe-se dizer que na última terça-feira, um drone foi arremessado pelo vento contra o Empresarial JCPM, de onde bem próximo, foi instalada a POE para monitorar a orla de Boa Viagem. Agora, como prestar pronta-resposta quando as imagens do POE são visualizadas por canais individuais do YouTube, que chegam às telas da SDS com delay de 5 minutos?

Outro fator, não menos relevante, é que para substituir a falta da equipe terceirizada que atuava no atendimento do 190, em greve por falta de pagamento, o Governo removeu 15 policiais civis de delegacias para o CIODS (Centro Integrado de Operações de Defesa Social). Nas delegacias, esses policiais atendiam ao público com registros de boletins de ocorrências e faziam as investigações de homicídios, roubos, estupros, no CIODS, esses policiais atendem telefones. O ato, inclusive, sobrou até para os designados, que são os policiais civis já aposentados que trabalham nas unidades policiais na execução de trabalhos administrativos. Segundo o Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Sinpol), de acordo com o artigo 2º, § 2º da lei complementar 340/2016, os Policiais aposentados não podem ser lotados em unidades fora da PCPE, e o CIODS não faz parte da Polícia Civil e, sim, a Secretaria de Defesa Social.

“O descaso da pasta da segurança pública causou aos pernambucanos uma sensação de completo abandono por parte do Governo que nas eleições do ano passado comprometeu-se que iria tratar do tema com a máxima prioridade. Até agora só estamos nos belos discursos e a sociedade espera ação”, desabafa o presidente do Sinpol, Áureo Cisneiros.